sexta-feira, 23 de agosto de 2013

O EU SUPREMO



“Os iogues dizem que o descontentamento humano é um simples caso de identidade equivocada. Nós somos infelizes porque achamos que somos meros indivíduos  sozinhos com nossos medos e falhas, com nosso ressentimento e nossa mortalidade. Acreditamos equivocadamente que nossos pequenos e limitados egos constituem toda a nossa natureza. Não conseguimos reconhecer nossa natureza divina mais profunda...Em algum lugar, dentro de nós, existe um Eu supremo que está eternamente em paz... este Eu é que é a nossa verdadeira identidade... se você não perceber esta verdade, estará sempre desesperado, idéia expressa de forma inteligente na seguinte frase irritada do filósofo estóico grego Epíteto:


”Você leva Deus dentro de si, seu pobre desgraçado e não sabe disso.”

Do livro “Comer, rezar, amar”.
Este trecho corresponde à parte em que a autora se encontra na Índia, tentando meditar

BAILARINA



Meus pés cansados,
Não dançam mais.

Olho para meus pés,
Surpresa.
Presa a eles estou.
Não reconheço
estes pés.
Estranho...
Pois são meus.

Meu corpo envelheceu
Caminho lentamente,
Meus pés vão devagar,
contidos em seus limites.

Adormeci ainda ontem,
depois do baile
e acordei hoje, creio,
tão cansada.

Algo em mim se agita
E salta e voa

Um som dentro de mim
Ainda ecoa

Alguém dentro de mim
Ainda sonha

E na ponta dos pés
Se põe a dançar,
Tão leve

em pleno ar.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

NA PONTA DOS PÉS.

"Dias suportáveis e submissos, nos quais nem o sofrimento nem o prazer se manifestam, em que tudo apenas murmura e parece andar na ponta dos pés.” 

Hermann Hesse


Um poema inspirado no tema acima.

Passei a apreciar a rotina
De um caminho sem desvios,
E encruzilhadas.

Não é preciso escolher o rumo,
O caminho escolhe por mim.

Cansei do improviso,
Prefiro o planejado
De antemão.
Na contra mão
Nem penso andar.

Conheci o desespero,
O temor do inesperado.
Por isso não espero.

Vivi a inquietação, o insuportável,
Tanto que o suportável,
até mesmo o tédio 
e a solidão das tardes quietas,
aprendi a chamar de paz. 


Não ouso alterar este estado de coisas,
Piso de mansinho com meus chinelos de espuma,



Nada de acordar o animal que dorme,
Tremo de pensar que
Em sua garganta há de  restar
uma força vital, que ao se soltar,
É um URRO.
Por isso cochicho,
não atravesso o limite 

do sussurro.



Hoje não corro,

para não despertar 
o sossego.
Me chego de mansinho,
com tato e delicadeza.

caminho, sem pressa,

com muita leveza,
na ponta dos pés.



Vânia - agosto.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

O EU E A SOMBRA

"...aquele que pairava nas alturas era o mesmo que se arrastava no chão.
... quando minhas asas se desdobravam ao sol , sua sombra projetada na terra era como uma tartaruga.

Eu, o crente, era também o cético..."


Gibran com estas palavras fala de nosso Eu dividido, causa de nossas aflições.
Ele não diz isto; eu que deduzo. 
E assim me sinto.

Assim me vejo...
em momentos de êxtase
alcanço o cume,
Não me reconheço 
na sombra projetada.
abaixo.

Meu ser alado
galopa, 
livre,
sobre as nuvens..
esquecido da sombra errante 
que se arrasta
e esconde
na escuridão do vale,
ao pé da montanha.

Mas eu sou aquele e sou este,
ainda,
não sei.

e Gibran escreve:
"O que sois reside acima das montanhas e erra com o vento.
Não é algo que rasteja ao sol para aquecer-se ou cava buracos na escuridão para se proteger.
Mas sim, algo livre, um espírito que envolve a terra e se movimenta no éter."

EU SOU ESTE EM BUSCA DO QUE SOU.


segunda-feira, 19 de agosto de 2013

ENTUSIASMO

  IN THEOS MO


Movimento de Deus dentro de nós.
Este é o significado de ENTUSIASMO.

Uma pessoa entusiasmada tem Deus dentro de si. É uma pessoa inspirada, apaixonada. 

Certa vez Jesus afirmou: “o Reino de Deus está em vós!”. 
O que é este "Reino"? É o reino da alegria, profunda, inalterada, pura. É o reino do amor, profundo, inalterado, puro.
Quando pudermos sentir que Deus está dentro de nós, conseguiremos viver com entusiasmo, vibrando com a vida, com tudo. 
Descobriremos então o verdadeiro significado do "amor". Saberemos amar de verdade, com alegria.

E quem ama sente alegria. Vive com entusiasmo. 


Cada alma que entra em comunhão com Esta força,
através da oração, do pensamento direcionado, passa a fazer parte, ainda que momentaneamente, do reino de Deus.

É este movimento para dentro de Deus,
através da comunhão com Ele,
através da entrega na meditação
sem distrações, com verdadeira intenção,
que expande a força de cada um de nós.

Sabemos quando isto acontece
ao sentir que vibramos em uma frequência diferente,
a que chamamos ENTUSIASMO,

manter a chama do entusiasmo
depende deste movimento:
In Theos Mo.



domingo, 18 de agosto de 2013

EU E O TEMPO



Hoje eu me senti por dentro assim:
sem luz,
sem vida,
sem idade.
Hoje amanheceu dentro de mim
alguém tão triste,
cansada
e sem vaidade.

Fui procurar
por mim
num outro tempo

não esquecido
da memória.


Havia
a cidade,
 a casa,

a velha janela,
mas

eu não estava lá.

Apenas 

encontrei
enrodilhado,
entre os anéis de poeira,
rodopiantes,
 só o

 passado.

Encontrei
o ar 

saturado,
a madeira enegrecida,
lavrada pelo tempo,
nada mais,

apenas.

A vidraça escorrida
dos respingos de chuva
ressequidos
e pó.

Assim eu me senti hoje,
envelhecida
e só.





 No entanto
 cá estou:
     desenhando 
   borboletas
   nas janelas
     de meus olhos.

     No entanto
    cá estou,
   Tramando sonhos
  tecendo poemas,
 colocando
flores,
cores,
 na tela
 da janela,
  imaginada.
                                                             
Envelheço
   por fora.
Ah!
  por dentro,
no entanto,
    eu canto.
                                                             

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

FÚRIA DE VIVER

Eu estava lendo um artigo de Carpinejar, e em alguns aspectos me identifiquei.
Pensei: somos todos tão iguais de certa forma.
Ele disse que o pai o chama de Wolverine. 

Nas palavras dele: "pelo meu alto poder de cicatrização. 
Eu me desespero e logo ressuscito, eu caio e logo levanto. Não morro de uma única vez. 
Não desisto. Não me entrego mesmo que não veja a saída. 
Quando não há porta, eu espero no escuro até ser a porta. 
A ansiedade que me enerva acaba por aumentar minha vontade de ver de novo a luz.
Tenho fúria de viver. Não há perda que seja total. 
Alguém pode me machucar terrivelmente, mas não me leva. 
Posso permanecer sequelado, mas sei cavar a terra por dentro da terra. 
Penso nos filhos, penso nos amigos, penso na literatura e sigo adiante. 
Cambalear ainda é caminhar. 
A chuva lava minha ferida e o vento seca.                                 A carne da memória se recompõe de algum jeito. 
Talvez seja um excesso de sofrimento na infância que me preparou para o pior no futuro. Eu sobrevivi a tanta coisa."
E por aí vai..... 


Ele é um sobrevivente,. como eu. Como disse o meu terapeuta.
No final, ele disse não entender onde o pai enxergava as garras do Logan, e pergunta ao pai: "E as garras das mãos, pai?" E a resposta foi:
"— São as palavras, meu filho. Você se defende com a linguagem ou se agarra nela para não morrer."


Então é por isso que escrevo, eu, Vânia, ainda que mal, na minha opinião, mas escrevo. Quando se escreve, ninguém interrompe para contestar. Mesmo que leia e ache ruim, não me impede de dizer o que eu penso. Falo e pronto.
É esta fúria de viver que irrompe, quando penso já não ter mais ânimo nenhum. É esta ansiedade que me enerva, que não me deixa ficar muito tempo em triste recolhimento e rancor. É minha ânsia por claridade, que me faz cavocar (ou cavoucar, isto existe?) até achar uma saída. Não sei quantas vezes morri de desespero e ressuscitei também de pura esperança, achando que devia  tentar de novo, "pode que dê certo." Teimosa sou eu.
E sigo adiante, no ritmo das pernas que não acompanham minha fúria de viver. Cambaleando, estalando as juntas, mas caminhando, pois "Cambalear ainda é caminhar."