sábado, 30 de novembro de 2013

AMOR EXPANSIVO


Quando amamos alguém, de certa forma, expandimos nossa capacidade de amar, deixando por onde passamos nossa energia amorosa, e todos que caminham conosco ou nos vêm passar, se beneficiam, sem saber.
É como o perfume em nós que deixa um rastro de aroma atrás de si, envolvendo os mais próximos.
É como levar flores para nosso amado e deixar pétalas cair pelo caminho... a fragrância se espalha e contagia.
Quando amamos, semeamos.
Quem estiver conosco há de colher
e semear...

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MONTAGEM = VIC 11 ANOS -  SOMBRINHA SOMBREADA - FUNDO TELA BORBOLETAS



quinta-feira, 21 de novembro de 2013

O POETA E O FILÓSOFO






Enquanto lia o último livro de Yalom sobre Espinoza, surpreendi-me ao descobrir que os questionamentos dele sobre os dogmas religiosos fossem, embora ele tivesse nascido muito antes de mim, tão iguais aos meus. Entendo que ele, eu e outras pessoas não possam seguir nenhuma religião instituída, por elas não serem racionais, porque suas verdades não são universais, dividem as pessoas em crenças e suas interpretações das escrituras são literais demais. O que me chateia é que grandes homens como Jesus e outros iluminados jamais se julgaram acima dos outros, não pretenderam ser chamados de deuses. Também é triste que seus seguidores tenham deturpado suas mensagens.
Descobri porque escrevo, ou penso que escrevo poesia. Na poesia dizemos uma coisa, muitas vezes querendo dizer outra. Driblamos a palavra. Escrevo pelas beiradas, sem me aprofundar demais. No fundo sou covarde e não suporto o julgamento e a crítica. Não é preciso ser lançada à fogueira para sair queimada. 
Carpinejar, de quem aprendi a gostar, fala da inquietação que existe em ambos: o poeta e o filósofo. Concordo com a idéia da inquietação e não aceito facilmente o que me é passado. Só não concordo com ele quando diz ser o poeta um filósofo preguiçoso, embora ele também o seja, mas mais que preguiçoso, o poeta é um filósofo que não quer se comprometer. E, como eu disse antes, é um filósofo covarde.

"Não acho que a filosofia seja tão oposta à poesia como muitos acreditam. Ambas propõem não que você saia da sala, mas que mude de cadeira. Em ambas há a mesma inquietação de não aceitar tão facilmente as coisas que nos são passadas. O poeta é um filósofo preguiçoso." Carpinejar

domingo, 17 de novembro de 2013

MÃE É UM SER COMPLICADO




Mãe é um ser complicado.
Quando quer ajudar, na ânsia que a move, se intromete; quando não se mete, sente-se culpada por não ter feito nada. Não consegue manter a distância devida, respeitar os limites que parece tão fácil com estranhos.
Talvez porque ainda esteja ligada por cordões umbilicais invisíveis, que não podem ser cortados por isso mesmo: por serem invisíveis.
Um olhar do(a) filho(a), "nublado", e ela já ‘enxerga’ por trás das ‘nuvens’ o que talvez só exista em sua imaginação fértil.
Quando o filho(a) avisa que está chegando, sente-se eufórica, faz planos, tanto que, ao chegar, está derreada, exausta, e, para seu espanto, meio desanimada, parecendo infeliz. Tanto que chega a suspeitar que ‘uma energia intrusa” roubou-lhe a que tinha, pelas portas escancaradas de seu corpo astral desavisado.
Ninguém entende que, de tão feliz que estava, acabou ficando triste. O corpo é assim: reage inesperadamente, vítima de emoções meio doidas.
Pode ser, mas os anos de terapia, especialmente a última consulta, me alertam também para algo sobre a qual reflito agora: a intimidade.
“Para haver amor tem de haver intimidade”, disse-me o terapeuta. 
Intimidade exige mostrar-se como se é, dizer o que sente, ainda que o outro não goste, sem receio de que, por isso, na mais absurda das hipóteses, ele ou ela deixe de gostar de você ou você dele, o que é impossível, pelo menos para mim, quando ele reagir e discordar de você. Intimidade é uma coisa que acalma apesar de nos mostrar como somos: menos gentis, menos solícitos, mais egoístas, mas verdadeiros, "demasiado humanos".
O medo de desagradar que me acompanha desde criança, infelizmente, estendeu-se até os meus filhos. Um olhar "anuviado", sujeito a interpretações as piores, e já me encolho ou me ouriço. Pena! Pois assim que eles saem pela porta, me entristeço pelo que eu disse ou pelo que deixei de dizer, pelo gesto contido ou desastradamente emocional .
Intimidade... a palavra assusta, porque nos expõe de tal forma como fios desencapados, vulneráveis. Não querendo sofrer terminamos por sofrer mais do que é preciso.
E no entanto é simples. Basta não formar expectativas. Não tentar controlar o que sentimos e, menos ainda, o que os outros sentem. 
Basta abrir a porta e dizer: Vai entrando, a casa é tua e o coração também. Um simples abraço, sem muitos salamaleques, e pronto. Ah! E um detalhe, não abrir mão da cama ou da cadeira preferida, ou da soneca que, se dispensada, me põe de mau humor. Afinal de contas, se eu quiser deixar o filho(a) à vontade, tenho de estar também. 


sexta-feira, 25 de outubro de 2013

BONDADE E LEVEZA



Tudo o que é bom é leve; tudo o que é divino corre em pés delicados." Nietzsche.


Pode-se associar bondade à leveza sempre?
Nem sempre. 
Às vezes leveza tem um ar de superficialidade, e bondade tem uma aparência dura e firme.
Por isso nos deixamos seduzir pelo que nos parece leve e delicado.
Rejeitamos o que é áspero e pesado.

Minha mãe não era leve nem delicada; tinha mão pesada e ligeira; a voz não se ajustava a cantigas de ninar.
Não havia, desde quando eu lembre, suavidade nela e seus olhos refletiam uma certa dureza das safiras azuis.

Mas eu sei que ela daria a vida por mim. 
O melhor do que havia na mesa e na casa, reservava para mim. O que sonhava para si mesma, ofereceu a mim, ainda que não fosse aquilo que eu  mesma desejasse. Do jeito dela, era boa comigo, embora eu ansiasse por mais leveza e liberdade.
Do jeito dela, ela me amava sim.
E para amar não é preciso um tanto de bondade?

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

CONVERSANDO COM CARPINEJAR SOBRE ESPERANÇA

"A generosidade vem da esperança, eu garanto."

Não sou sempre generosa. Sinto-me generosa às vezes, quando estou contente, quando me sinto segura,  amada e grata por alguma coisa de bom que me aconteça. Para ser generosa é preciso ter dentro de si  esperança, uma espécie de fé que se alterna com nossos humores e alegrias e dissabores.
Carpinejar diz que quem não tem esperança torna-se avarento, poupando a energia que tem, economizando como se estivesse em tempo de guerra, estocando alegria "no porão dos nervos" Não pode ofertar o que teme possa vir a faltar-lhe. É mesmo. E o que os sem esperança não sabem é que a pouca alegria que escondem para que não lhe seja arrebatada, não é verdadeira, mas um arremedo de alegria, um triste simulacro de algo que, por não terem esperança nenhuma estão longe de conhecerem.
"Começará a acender velas devido à luz cortada de seus olhos, passará a resmungar devido à voz falhada de sua boca."
Lindo, Carpinejar. Sem esperança, não enxergamos, não basta acendermos velas e lâmpadas de 100 wats. Sem esperança, nada temos a dizer, desaprendemos de cantar e perdemos toda a capacidade de encantar e nos surpreender. Envelhecemos e nos perdemos tateando na escuridão de nossas almas.

"O desesperançado deixa de fazer convites, restringe os favores, recusa sair, sonega a casa e visitas. Ele é uma ostra que se torna marisco – não tem brilho de pérola para chamar o mar."
"Não tem brilho de pérola para chamar o mar."
É bem isto. Nos refugiamos em nossas conchas, escondendo pérolas que talvez tenhamos em formação nos nossos centros vitais, sem que saibamos. Os convites ficam adiados, sem que, no entanto, deixemos de  ansiar por eles. Afinal, há um ser gregário em nós, eternamente em busca de sua tribo.
"A esperança é tempo de ser, véspera, ensaio."
Lembro da infância feita de vésperas: véspera de Natal, de páscoa, de aniversários, de viagens a passeio, de pic-nics no campo, de férias na praia com a família. Esperança era meu quotidiano. Magia era a cor na minha rotina.
"Sem esperança, não se luta por nada. A amargura decorre justamente da ausência de perspectiva."
Ausência de perspectiva é falta de motivação, e falta de motivação é ausência de esperança. É o que sinto às vezes, cada vez mais vezes, para meu desgosto por mim mesma. 
Sempre escutei dizerem: a esperança é a última que morre. E me pergunto: se é a última que morre é porque algo tem de morrer antes. O que é que morre antes da esperança? Uma parte de nós. Como dizem os xamãs: são partes de nossa alma que deixamos para trás em mundos paralelos. Algo morre em nós para que ela, a esperança, se erga triunfante. Morrem as ilusões insensatas (toda ilusão é insensata), morre o egoísmo, a imaturidade, o medo, a vileza, a ignorância, morre tudo que nos faz pequenos, para que possa nascer o que existe de maior em nós.

Morremos quando morrem nossas ilusões; renascemos quando nascem novas esperanças em nós.
A esperança é filha da fé, e a fé é nobre, é elevada.
 "Escreve nosso amigo Carpinejar: Alguém falido não dará bom-dia muito menos boa-noite.
Alguém isolado não pensará em ajudar uma velhinha a atravessar a rua ou carregar suas sacolas de mercado.
A esperança é educação. A esperança é tranquilidade." 
Esperança é sentir-se rico, pleno, tranquilo. É ela que nos torna educados, solidários, confiantes. 
"A esperança é perceber que por pior que seja aquele dia haverá outro totalmente inesperado.
A esperança é crédito." 
Crédito não vem de acreditar?
Acreditar nos faz deixar o controle de lado e rolar na correnteza, e rodopiar na ventania... sem medo. 

Quando temos esperança, surge " apenas a vontade de seguir em frente e procurar o lado do sol da calçada."

terça-feira, 22 de outubro de 2013

UM POEMA QUE SE CONTINUA, DE PEDACINHO EM PEDACINHO

Quisera enlaçar-te
no laço
do abraço...
trazer-te de volta,
outra vez criança..


Segues
em tua propria linha de tempo...

E em meu tempo
paralelo ao teu,
te sigo
e persigo,
sem te alcançar,

após.
Há pós
de estrelas no teu rastro.

poeira iluminada de astros,
que compõem teu retrato.


Descubro que não há lugar
para mim
em mim.

No espaço atravancado
de tralhas e trastes,
trancada per ma ne
ço
só.
tenho uma trave
atravessada na garganta.
não ouso cantar.

há trancas na janela de minha alma.
ainda há em mim uma criança
que clama
e reclama e não se acalma,
que está só
e soluça.


Um fiapo de luz
espreita pelas frestas
da janela.

E a luz bailarina
em rodopios dourados,
vestida de poeira
entra e dança.
leve e mansa.

Eu me alterno
terna, tão terna;
triste e tão tensa..

Ora te acolho,
e ora me recolho
nas profundezas de mim.

Ah! Esta alternância
entre luz e sombra,
na alma que, ora
se esconde e chora,
ora requebra e canta.

Mas vê...
novas formas recriei
na argila umedecida.
Novas canções compus
com as mesmas notas
mas em oitavas mais altas.

É minha nova canção,
Eu mesma fiz
com toda a delicadeza
de que fui capaz.

Escuta
Tem um som de chuva e vento,
um som de cachoeira
borbulhante,
descendo por entre o sulcos,
que o tempo foi arando
na lavra do coração.