sábado, 21 de dezembro de 2013
VERDADEIRA COMPANHIA
Verdadeira companhia é a que chega sem que nos sintamos interrompidos,
que se demora, sem que nos entedie,
que se afasta para nos dar espaço para refazimento,
que mesmo sem falar preenche nossos silêncios,
que nos deixa a vontade como se estivéssemos com nós mesmos.
É a que preenche nossos cantos vazios, deixando espaço para outros amigos.
É a que não nos constrange com seu silêncio, porque é acolhedor.
Que sem concordar conosco, não nos censura.
Que nos faz sentir envolvidos, sem nos abraçar.
Que está conosco sempre, independente da distância.
Que não deixa dúvidas
sua amizade é uma certeza que nos enraiza,
ainda que nossos ramos mais altos voem com o vento.
s[abado 21 de dezembro.
domingo, 15 de dezembro de 2013
CURA

A cura se dá pela conscientização, pela clareza mental a respeito do que aconteceu conosco no passado.
É uma espécie de exumação das lembranças, que determinaram nosso presente.
Nesta análise só podemos assumir nossa responsabilidade para que as coisas se dessem como aconteceram. A responsabilidade dos outros vai depender de sua compreensão de como seus atos repercutiram em nossa formação.
O segundo passo é a aceitação do que foi feito conosco, o que só é possível depois de um distanciamento emocional. Aqui não entra o livre arbítrio, no que se refere ao que nos foi causado. O livre arbítrio está em esquecer ou não, superar ou não, perdoar ou não.
Lidamos com pessoas diferentes, com vários graus de compreensão e conscientização. O aprendizado é não tentar fazer que pensem como nós, e buscar os afins para que nã
Terapia esclarece, mas o trabalho de lidar com nossas reações é nosso. Isto é livre arbítrio.
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
O AGORA
Muita gente é assim.
O pensamento vai para o passado feito de lembranças e para o futuro feito de incertezas.
E o momento presente torna-se, infelizmente, aquele presente que a vida dá para a gente e que só é desembrulhado depois, quando já não é mais agora.
“Ao concentrar toda sua atenção ao momento presente, uma inteligência muito superior à inteligência da mente autocentrada entra no comando da sua vida. Sua ação presente se torna não só muito mais eficaz, como infinitamente mais satisfatória e gratificante”.
Eckart Tolle. A paz do silêncio.
sábado, 30 de novembro de 2013
AMOR EXPANSIVO
Quando amamos alguém, de certa forma, expandimos nossa capacidade de amar, deixando por onde passamos nossa energia amorosa, e todos que caminham conosco ou nos vêm passar, se beneficiam, sem saber.
É como o perfume em nós que deixa um rastro de aroma atrás de si, envolvendo os mais próximos.
É como levar flores para nosso amado e deixar pétalas cair pelo caminho... a fragrância se espalha e contagia.
Quando amamos, semeamos.
Quem estiver conosco há de colher
e semear...
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
O POETA E O FILÓSOFO
Enquanto lia o último livro de Yalom sobre Espinoza, surpreendi-me ao descobrir que os questionamentos dele sobre os dogmas religiosos fossem, embora ele tivesse nascido muito antes de mim, tão iguais aos meus. Entendo que ele, eu e outras pessoas não possam seguir nenhuma religião instituída, por elas não serem racionais, porque suas verdades não são universais, dividem as pessoas em crenças e suas interpretações das escrituras são literais demais. O que me chateia é que grandes homens como Jesus e outros iluminados jamais se julgaram acima dos outros, não pretenderam ser chamados de deuses. Também é triste que seus seguidores tenham deturpado suas mensagens.
Descobri porque escrevo, ou penso que escrevo poesia. Na poesia dizemos uma coisa, muitas vezes querendo dizer outra. Driblamos a palavra. Escrevo pelas beiradas, sem me aprofundar demais. No fundo sou covarde e não suporto o julgamento e a crítica. Não é preciso ser lançada à fogueira para sair queimada.
Carpinejar, de quem aprendi a gostar, fala da inquietação que existe em ambos: o poeta e o filósofo. Concordo com a idéia da inquietação e não aceito facilmente o que me é passado. Só não concordo com ele quando diz ser o poeta um filósofo preguiçoso, embora ele também o seja, mas mais que preguiçoso, o poeta é um filósofo que não quer se comprometer. E, como eu disse antes, é um filósofo covarde.
"Não acho que a filosofia seja tão oposta à poesia como muitos acreditam. Ambas propõem não que você saia da sala, mas que mude de cadeira. Em ambas há a mesma inquietação de não aceitar tão facilmente as coisas que nos são passadas. O poeta é um filósofo preguiçoso." Carpinejar
domingo, 17 de novembro de 2013
MÃE É UM SER COMPLICADO
Quando quer ajudar, na ânsia que a move, se intromete;
quando não se mete, sente-se culpada por não ter feito nada. Não consegue
manter a distância devida, respeitar os limites que parece tão fácil com
estranhos.
Talvez porque ainda esteja ligada por cordões umbilicais
invisíveis, que não podem ser cortados por isso mesmo: por serem invisíveis.
Um olhar do(a) filho(a), "nublado", e ela já ‘enxerga’ por
trás das ‘nuvens’ o que talvez só exista em sua imaginação fértil.
Quando o filho(a) avisa que está chegando, sente-se
eufórica, faz planos, tanto que, ao chegar, está derreada, exausta, e, para seu
espanto, meio desanimada, parecendo infeliz. Tanto que chega a suspeitar que ‘uma energia intrusa”
roubou-lhe a que tinha, pelas portas escancaradas de seu corpo astral
desavisado.
Ninguém entende que, de tão feliz que estava, acabou ficando triste. O corpo é assim: reage inesperadamente, vítima de emoções meio doidas.
Ninguém entende que, de tão feliz que estava, acabou ficando triste. O corpo é assim: reage inesperadamente, vítima de emoções meio doidas.
Pode ser, mas os anos de terapia, especialmente a última
consulta, me alertam também para algo sobre a qual reflito agora: a intimidade.
“Para haver amor tem de haver intimidade”, disse-me o terapeuta.
Intimidade exige mostrar-se como se é, dizer o que sente, ainda que o outro não goste, sem receio de que, por isso, na mais absurda das hipóteses, ele ou ela deixe de gostar de você ou você dele, o que é impossível, pelo menos para mim, quando ele reagir e discordar de você. Intimidade é uma coisa que acalma apesar de nos mostrar como somos: menos gentis, menos solícitos, mais egoístas, mas verdadeiros, "demasiado humanos".
Intimidade exige mostrar-se como se é, dizer o que sente, ainda que o outro não goste, sem receio de que, por isso, na mais absurda das hipóteses, ele ou ela deixe de gostar de você ou você dele, o que é impossível, pelo menos para mim, quando ele reagir e discordar de você. Intimidade é uma coisa que acalma apesar de nos mostrar como somos: menos gentis, menos solícitos, mais egoístas, mas verdadeiros, "demasiado humanos".
O medo de desagradar que me acompanha desde criança,
infelizmente, estendeu-se até os meus filhos. Um olhar "anuviado", sujeito a interpretações as piores, e já me
encolho ou me ouriço. Pena! Pois assim que eles saem pela porta, me entristeço
pelo que eu disse ou pelo que deixei de dizer, pelo gesto contido ou desastradamente emocional .
Intimidade... a palavra assusta, porque nos expõe de tal
forma como fios desencapados, vulneráveis. Não querendo sofrer terminamos por
sofrer mais do que é preciso.
E no entanto é simples. Basta não formar expectativas. Não
tentar controlar o que sentimos e, menos ainda, o que os outros sentem.
Basta abrir a porta e dizer: Vai entrando, a casa é tua e o coração também. Um simples abraço, sem muitos salamaleques, e pronto. Ah! E um detalhe, não abrir mão da cama ou da cadeira preferida, ou da soneca que, se dispensada, me põe de mau humor. Afinal de contas, se eu quiser deixar o filho(a) à vontade, tenho de estar também.
Basta abrir a porta e dizer: Vai entrando, a casa é tua e o coração também. Um simples abraço, sem muitos salamaleques, e pronto. Ah! E um detalhe, não abrir mão da cama ou da cadeira preferida, ou da soneca que, se dispensada, me põe de mau humor. Afinal de contas, se eu quiser deixar o filho(a) à vontade, tenho de estar também.
Assinar:
Postagens (Atom)






