Esta é a idéia que faço de aconchego. Lareira de pedra. Paredes revestidas de madeira. Neve lá fora. Fogo aceso dentro. Cachorro esparramado no tapete. Só está faltando o gato.
quarta-feira, 27 de julho de 2016
ACONCHEGO
Esta é a idéia que faço de aconchego. Lareira de pedra. Paredes revestidas de madeira. Neve lá fora. Fogo aceso dentro. Cachorro esparramado no tapete. Só está faltando o gato.
segunda-feira, 18 de julho de 2016
ESTÁ CHOVENDO NA ROSEIRA
Quando posto imagens que me encantam, é porque preciso compartilhar meu encantamento.
Lembro de quando era criança e via coisas que me extasiavam por serem belas, ou simplesmente novas para mim, como o mar, eu exclamava: Olha!Olha!
Faço como Tom Jobim, que disse para alguém: “Olha: está chovendo na roseira.” Algo comum, para ele era motivo de encantamento e se transformava em canção.
Assim sou eu, sem ousar me comparar, já que não componho e às vezes, muitas, tropeço nas palavras. Sequer consigo pintar o que me assombra e apaixona. O que temos em comum é o olhar maravilhado.
Isto foi depois de ler a crônica do David Coimbra na ZH: ESTÁ CHOVENDO NA ROSEIRA.
Hoje às 13horas.
CONCERTO CHUVA SOLO
A CHUVA
ENTRE TODAS AS
MÚSICAS DO MUNDO E DO CÉU, ENTRE TODAS
QUE ESCUTO CÁ DE CIMA OU LÁ DE BAIXO, ESCOLHO O CONCERTO PARA CHUVA SOLO.OUÇO
COMO EM UMA MISSA, TODA VEZ QUE ELA SE DEIXA OUVIR NA CLARABÓIA DA MINHA CASA.
EDUARDO GALEANO.
Sempre desejei ter uma clarabóia no teto do meu quarto para ouvir a chuva batendo contra o vidro.
Gosto de temporais, desde que esteja protegida em minha cama e edredons.
É mesmo um concerto solo, como escreve Galeano. A chuvarada me lembra o "Concerto Revolucionário" de Chopin onde as notas musicais tomam formas liquidas regidas pela ventania.
Quem sabe ele a compôs em noite de tempestade?
Quem sabe?
domingo, 10 de abril de 2016
FICAREI NAS PALAVRAS QUANDO ME FOR
Não quero passar pela vida
como uma lufada de vento,
nem me consumir
no fogo de meus anseios,
ser folha jogada
ao vento,
nem cinza do que me restou.
Quero esculpir nas rochas,
Com minhas mãos de água,
Formas indefinidas e belas.
Quero tecer caminhos de terra
Para os que caminham junto
E depois de mim.
Quero caminhar com palavras,
Já que andar não posso como antes,
Dizer o pouco do que sei
E o muito do que sinto
Quando eu me for,
quero
Permanecer sempre
viva
em meus versos.
quarta-feira, 2 de março de 2016
LÁGRIMA DE ANJOS
Até que enfim: chuva
Fina feito fio de linha
Chuva fininha,
Sem susto, sem sobressalto,
Escorre, suave, do alto
Das frontes dos anjos cansados.
Mas...
ela, a chuva ,
Não passou de ameaça
Ficou este cheiro
De suor e poeira.
E o ar tenso
de calor intenso,
calor represado,
à beira do céu.
Não chove.
Seco, sedento está meu olhar
Como os olhos dos anjos
Que nem chorar choram mais.
domingo, 17 de janeiro de 2016
PALAVRAS
No silêncio, entre as palavras, eu me guardo.
Não me exponho.
Visto minha roupa de sonhos,
E ponho meu véu de nuvens.
Revelo menos do que sou,
porque o que sou palavras não definem.
Nas entrelinhas entre o dizer e o sentir,
quem ousar olhar atentamente,
há de encontrar,
por trás do rosto lavado,
apenas eu.
sexta-feira, 25 de dezembro de 2015
SENHORA DO TEMPO E DO ESPAÇO
Sou senhora do tempo e do espaço.
Meu mundo eu crio,
Meu tempo eu faço
do tamanho exato de que preciso.
Meu mundo transformo
a partir do mundo dos grandes
em um lugar sem limites
e mágico.
A cadeira da vovó,
imensa, macia, aconchegante,
é uma carruagem, um trenó,
que me conduz a lugares
inimagináveis
para quem não tem meu poder.
Reinvento o mundo
a partir do que sei
de lembranças de outras vidas.
Debaixo da mesa é minha casa,
uma caverna talvez.
Há perigos "lá fora",
mas estou protegida,
pois vovó guarda a entrada
como um grande guardião,
e mamãe virá logo
com seus longos braços
que me hão de alcançar.
O que elas não sabem
é que sou senhora do tempo e do espaço,
meu mundo eu faço,
meu tempo eu traço
circular.
No centro, eu, amada,
em volta, o amor
do papai,
da mamãe e
da vovó.
Fiz para a Victoria, enquanto ela brincava de "princesa", aos três anos.
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