domingo, 10 de abril de 2016

FICAREI NAS PALAVRAS QUANDO ME FOR







QUERO VIDA

Não quero passar pela vida
como uma lufada de vento,
nem me consumir
no fogo de meus anseios,
ser folha jogada
ao vento,
nem cinza do que me restou.

Quero esculpir nas rochas,
Com minhas mãos de água,
Formas indefinidas e belas.

Quero tecer caminhos de terra
Para os que caminham junto
E depois de mim.

Quero caminhar com palavras,
Já que andar não posso como antes,
Dizer o pouco do que sei
E o muito do que sinto

Quando eu me for,
quero
Permanecer sempre
viva
em meus versos.





quarta-feira, 2 de março de 2016

LÁGRIMA DE ANJOS

Até que enfim: chuva
Fina feito fio de linha
Chuva fininha,

Sem susto, sem sobressalto,
Escorre, suave, do alto
Das frontes dos anjos cansados.


Mas...
ela, a chuva ,
Não passou de ameaça

Ficou este cheiro
De suor e poeira.
E o ar tenso
de calor intenso,
calor represado,
à beira do céu.

Não chove.

Seco, sedento está meu olhar
Como os olhos dos anjos

Que nem chorar choram mais.

domingo, 17 de janeiro de 2016

PALAVRAS


No silêncio, entre as palavras, eu me guardo.

Não me exponho. 
Visto minha roupa de sonhos, 
E ponho meu véu de nuvens.

Revelo menos do que sou,
porque o que sou palavras não definem.

Nas entrelinhas entre o dizer e o sentir,
quem ousar olhar atentamente,

há de encontrar, 
por trás do rosto lavado,
 apenas eu.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

SENHORA DO TEMPO E DO ESPAÇO





Sou senhora do tempo e do espaço.
Meu mundo eu crio,
Meu tempo eu faço
do tamanho exato de que preciso.

Meu mundo transformo 
a partir do mundo dos grandes
em um lugar sem limites
e mágico.

A cadeira da vovó,
imensa, macia, aconchegante,
é uma carruagem, um trenó,
que me conduz a lugares 
inimagináveis
para quem não tem meu poder.

Reinvento o mundo
a partir do que sei
de lembranças de outras vidas.

Debaixo da mesa é minha casa,
uma caverna talvez.
Há perigos "lá fora",
mas estou protegida,
pois vovó guarda a entrada
como um grande guardião,
e mamãe virá logo
com seus longos braços
que me hão de alcançar.

O que elas não sabem
é que sou senhora do tempo e do espaço, 
meu mundo eu faço,
meu tempo eu traço
circular.
No centro, eu, amada,
em volta, o amor
do papai,
da mamãe e
da vovó.

Fiz para a Victoria, enquanto ela brincava de "princesa", aos três anos.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

JULGAMENTOS

        Marco Aurélio, o filósofo imperador, em Meditações, diz: “Abandone o julgamento e estará salvo”. ... “Tudo é feito pelo pensamento, portanto controle seu pensamento. Remova seus julgamentos sempre que desejar e terá paz, como quando o marinheiro contorna o litoral e encontra águas tranquilas e o abrigo de uma baía sem ondas.”
       Lembrou-me o que ouvi em uma palestra certa vez: O pior dos crimes é o julgamento. Por quê, perguntei. Porque é pelo julgamento que se cometem outros crimes.
Não esqueci isto.
       E é verdade. Sempre que julgamos é a partir de um ponto de vista e, de um ponto de vista não temos uma visão do todo. Vemos um pedacinho dele. Julgamos a partir de nossas emoções que podem estar equivocadas.
       
Deixemos isso para o Universo e suas Leis imutáveis. Deixemos para o Olhe que tudo alcança.
Enquanto isto vamos navegar em paz pela vida.


domingo, 30 de agosto de 2015

PARA A KIKITA



Sonho contigo em um jardim distante,
brincando em gramados macios bordados de
Flores de mil cores transbordantes.
Sonho contigo em manhãs douradas,
e céu de azul intenso,
a brisa ligeira te afagando o pêlo.

Sonho contigo em
Cama de nuvens,
Dossel de estrelas e neblina,
Água pura de fonte cristalina,
Ração com sabor de chocolate.

Sonho contigo em
Caminhos largos,
Passeios longos,
leve a correr.



Sonho contigo em liberdade.

Que se desatem os laços
Que te prendiam à coleira da vida.

Que se rompa a fita de prata
Que conduzia teu espírito
Em um pequeno corpo branco e negro
E enfim retornes
Aos campos do Senhor.



Escrito em
Abril 2004.
com a cachorrinha rosa que dei para ela e que pensava ser sua filha.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

ESTAÇÃO DE TREM








ESTAÇÕES.

A vida lembra uma estação de trem.

Gente entrando e saindo dos vagões.
Uns chegando,
Outros partindo.
E abraços.
Sorrisos dos que vão a passeio.
Acenos...
E cenas 
de quem fica, quando alguém vai
sem saber se irá voltar.


As mãos
Lembram  pássaros acenando
Em despedida.
Ansiando por seguir com os que partiram,
Pedindo pra ficar com os que não foram.


Versinhos de um tempo bem atrás.