"O normótico padece de falta de empenho em fazer florescer seus dons e enterra seus talentos com medo da própria grandeza, fugindo da sua missão individual e intransferível. Quando temos necessidade de, a todo custo, ser como os outros, não escutamos nossa própria vocação".
Cheguei à assustadora conclusão que fiz parte deste bando de normóticos até quase agora. Enterrei meus talentos e, o pior, é que não sei onde. Cavoco, cavoco e não encontro aquela que eu seria se não tivesse negado quem sou.
Onde está o sentido de minha vida?
Se não sou eu mesma, quem serei então?
E meus talentos? Que ventos levaram?
Em que me tornei, se não sou quem sou?
O céu está de uma cor só
cor de pó,
cor de poeira.
Penso que todas as respirações
se juntaram
e num suspiro único e abafado
cobriram o céu
de cinza.
Um chuvisqueiro cai
tão lento
e indeciso
que não chega a molhar.
Ainda tenho na testa o suor
de ontem.
E na lembrança
o calor abrasador do verão.
Anseio pelo alivio
do frio
que não chega.
"O maior inferno é a incapacidade de amar."
Dostoiewski.
É quase um absurdo que passemos a vida em busca de quem nos ame, que nos sintamos ressentidos, traídos por aqueles que pensamos deveriam ter-nos dado este amor, de graça, só por termos caído 'de para-quedas' em seu berço familiar.
Passamos uma vida cobrando uma conta que não podia, em absoluto, ser cobrada, pelo fato simples de que ninguém, naquela família, nos comprou.
Viemos porque viemos, de graça, porque queríamos, eu creio, vir. Ou porque precisávamos.
E ela, a família 'escolhida', nos aparou em seus braços do jeito que sabia e podia.
Algumas de braços abertos; outras nem tanto, mas com um legítimo esforço de responsabilidade, por saberem que isto era o certo. E o dever, no cuidado diário, foi-se formando em um afeto mais ou menos poderoso. Outras, na falta de braços, nos deixaram cair, e saímos machucados na queda.
Mas o que fazer? Reclamar porque o abraço foi frouxo, não houve, ou apertou tanto que não deixou respirar?
Aí, como retaliação, negamos amor também, principalmente para quem mais precisava: nós mesmos.
De raiva, nos recolhemos solitários para dentro de um coração vazio, que se não fizermos um esforço, jamais será preenchido.
Enquanto não entendemos direito o que acontece por sermos ainda crianças demais, tudo bem. Podemos chorar e berrar, fazer birra ou nos apequenar-nos, deprimindo-nos. Mas e depois, quando alcançamos um maior grau de entendimento e compreensão? Vamos continuar a reclamar, a sofrer?
De repente, num instante de lucidez, que não vem de graça, percebemos a inutilidade da reação e partimos (queira Deus) para a ação voltada para o amor, aquele que é possível, porque sempre esteve ali, como uma semente viva no silêncio de nossos corações.
A capacidade de amar é a meta, pode ser desenvolvida e leva à redenção. E liberta da necessidade de buscar amor. Porque o amor já está, ali, dentro da alma.
"POESIA É VOAR FORA DA ASA".
Interpreto como um vôo livre.
Um passeio descompromissado do pensamento
distribuindo palavras
como quem semeia sonhos.
Quando escrevo
sou o poeta vagabundo
solto por este mundo
sem fronteira
e porteira.
sigo o curso do vento...
deixo que o pensamento
me carregue em suas asas.
reencontro minha casa
meu refúgio, minha alma,
na palavra
encontro calma.
A poesia
que é um urro,
um grito desesperado.
A poesia
é um sussurro.
um dizer sem dizer nada.
Poesia...
é uma via
de escape,
de redenção.
Escrito hoje às 9 horas.
TELA DE ROBERT DUNCAN
Interessante os pontos de vista e como eles mudam com o passar dos anos.
O que para uns é rotina entediante, para outros é simplicidade e paz.
Nesta bela pintura hiperrealista, a atitude contemplativa da moça me faz pensar em calma, uma calma que eu gostaria de resgatar.
Mas sabe-se lá que sonhos povoam a mente dela, ali, em meio às sua tarefas do dia?
Que mundos ela sonha percorrer para além daquela janela?
A imagem da mulher com a criança é tão delicada e terna que me fez pensar:
Quem recebe colo nunca esquece... pelo menos o subconsciente lembra disto....
e esta "lembrança" dá suporte, faz com que, mesmo só, a pessoa sinta-se amparada pelo resto da vida.
Dêem colo para seus filhos, para os filhos de quem não encontra tempo para eles.
Façam de si concha para suas pérolas, seus filhos.
Quem teria coragem de caminhar por esta floresta e pisar nestas flores?Onde fica um lugar assim?
Longe...
onde os seres são alados,
alípedes, ninfas, mensageiros dos céus,
são seres pequeninos,
com pés também pequeninos,
sem peso nenhum.