domingo, 26 de janeiro de 2014

SOLIDÃO E A VERDADE NÃO REVELADA

Solidão é boa?
Só para quem se sente amado.
Se não,
É um abismo sem som.
É uma casa vazia...
Um jardim desolado
Um lugar não visitado
Há muito, muito tempo.

Sei o que é a sensação claustrofóbica
Deste sentir apertado no peito
Que não deixa respirar
Ainda que a céu aberto
Quando se está só.

Sei o que é ter as mãos frias
Pela falta do entrelaçar de dedos
E sentir-se desprotegida
Por não ter um braço firme sobre os ombros.

Sei o que é sentir esta ânsia por abraço
E aconchego
Que na falta, às vezes,
Se confunde com outros gestos,
Também bons, mas não iguais.

Solidão é bom quando se sabe que mais tarde haverá quem a preencha.
Solidão é para quem  é pleno e
Não deixou lacunas para trás,
Para aquele que,
Ainda que só,
carrega nas veias a seiva que o nutriu,
E que,
ainda que perdidas,
Tem nos pés a força das raízes que firmaram seu tronco.

Solidão é para os fortes:
Não é o que os fortalece.

Solidão para os que cresceram sozinhos
É ventania que espalha
O que resta
De esperança.

Solidão...
E que ninguém me ouça,
Aqueles a quem não revelo minhas fraquezas...
Não é tão bom assim..
Não é...
Não é...






sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

SOLIDÃO


Solidão é uma palavra que pesa, pelo menos para mim. Sou gregária, embora aprecie momentos de estar só.
É preciso distinguir a "tristeza de estar só" de "quietude íntima". 
Pascal disse que no âmago do ser estamos intimamente ligados ao bem, à virtude, à religião.
Quando entramos pela porta que leva ao nosso interior, encontramos nossa respostas mais seguras, nos nutrimos, nos vitalizamos, para continuarmos nossa viagem terrena.
O interior é um espaço onde só cabe um: nós.
Quando nos afastamos demais deste lugar íntimo e acolhedor, afastamo-nos também da vida lá fora, pois a vemos com o olhar do outro, com o julgamento alheio, enredados nesta teia que é a vida nossa e dos outros com seus desgastes e tensões.

Por que nos sentimos sós? 
porque nos sentimos vazios, sem apoio, sem segurança; quando a criança em nós em algum momento foi deixada entregue a si mesma. Não podemos resgatar esta criança. Não encontraremos ninguém na casa vazia, de longos corredores. Não encontraremos nada além de um berço vazio. A criança que éramos é apenas parte de nossas lembranças, não é o que somos hoje. Crescemos. O que ficou de nós não nos é devolvido, apenas lembranças.
Mas o que fica é este lugar em nosso íntimo, inviolável, apenas nosso. É nosso ser divino, é o lugar de luz em nós que se fortalece a cada vez que o visitamos. Quanto mais tomarmos consciência dele, menos sós nos sentiremos. Menos vulneráveis 
e a mercê de opiniões alheias. Menos enredados na teia humana de contradições. Mais abertos a relações sadias, estabelecidas por verdadeiras sintonias. 
Sabendo quem somos, fortalecidos com o bem que habita em nosso âmago, com a luz que nos ilumina como uma clareira nosso íntimo, poderemos sentir o cansaço do dia a dia, mas não perderemos as partes essenciais de nossa alma no emaranhado de pensamentos e sentimentos contraditórios que não nos pertencem.
Quando conseguimos estabelecer um contato com a Consciência Divina, tornando-nos um canal receptivo, sem interferências externas, não teremos mais como falar em solidão.Deus falará em nós e conosco quando nos recolhermos à caverna íntima de nosso ser  interno, no santuário íntimo, onde encontramos repouso e restabelecimento para, quando estivermos com as outras pessoas, possamos transmitir o melhor de nós e ofertar nosso ser inteiro, com todas as nossas forças.
Jesus, ao retirar-se para meditar, o fazia por entender que "a elevação da alma só é possível na privacidade da solidão."


terça-feira, 21 de janeiro de 2014

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

SOU FRAGMENTO



Eu me construo 
juntando uma peça aqui 
outra acolá.

vou me compondo 
com o que encontro pelo caminho.

copio, recrio o que me agrada ou assombra nos outros

Eu me invento, tomando daqui e dali inspirações alheias.

não sou tão original
afinal.
até meus traços 
copiei-os
de algum ancestral.

até meu jeito
de sorrir,
de mover a cabeça,
de caminhar,
e a voz... 

é o jeito de alguém que assimilei
ou não...
não viveram todos em meu tempo.
me antecederam apenas.

até a dor que me atravessa
assim de repente...
digo que é minha só porque a sinto na pele, 
mas é também a dor de alguém que já sofreu
antes de mim.

sou feita de peças que não se ajustam
facilmente
sou feita de contradições.
eu me construo
eu me desconstruo
e me deixo levar.

O que sobra e não encaixa 
solto no vento.
Sou fragmento.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

MEU EU PIGMEU

Observo a mulher no espelho e pergunto, sabendo de antemão que ela não sabe a resposta, que ela sequer reconhece em mim, naquela que a encara, ela mesma, só que muito mais velha.
Pergunto: "Por que você não cresce? Não se basta? Não guarda para si suas dores, suas inseguranças? Por que não se impõe com serenidade, mas com firmeza? Porque precisa tanto que a aprovem, que a amem de uma forma incondicional? Porque não aceita as imperfeições dos outros, suas aparentes injustiças? etc... 
Ela me olha com um olhar desamparado. Tudo que quer é que a tranquilizem, nem tanto com um abraço, mas com um tom de voz sereno , gentil. Ela quer que o mundo seja bom, calmo, justo.
O que fazer com ela? 
DESISTO... por enquanto.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

ALDEIAS E CAMINHOS


Estes caminhos,
cortando caminho entre aldeias,

caminhos que nunca percorri..
têm alguma coisa
de mágico.

talvez tenha andado por eles,
em outros tempos
tempos
que a memória apagou

mas se foi certo
que por aí andei,
o que fui e fiz
ainda faz o que sou..

ou serão apenas sonhos...
quem sabe?
dos mistérios da vida
que sei?

Estas janelas
fechadas ao entardecer,
me lembram olhos
de pálbebras cerradas
tentando apagar o dia
e adormecer.

Estas aldeias
cheias de histórias,
com estas simples casas
curvadas ladeira abaixo,
sem calçadas,
as ruas de pedra,
lustrosas de passos,
onde alguém
como eu,
um dia
viveu.



sábado, 4 de janeiro de 2014

CONVICÇÃO DE SER AMADO

A suprema felicidade da vida é a convicção de ser amado por aquilo que você é, ou melhor, apesar daquilo que você é.
-- Victor Hugo


Ser amado, acho que, no dizer de Victor Hugo, significa mais que isto. Significa ser repeitado, considerado. 

Mas ser amado "Apesar daquilo que você é" fica por conta dos amores incondicionais dos que nos geraram e dos que, por esta graça, que talvez se possa chamar destino, se tornaram 

nossos irmãos consanguínios ou não.