terça-feira, 21 de janeiro de 2014

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

SOU FRAGMENTO



Eu me construo 
juntando uma peça aqui 
outra acolá.

vou me compondo 
com o que encontro pelo caminho.

copio, recrio o que me agrada ou assombra nos outros

Eu me invento, tomando daqui e dali inspirações alheias.

não sou tão original
afinal.
até meus traços 
copiei-os
de algum ancestral.

até meu jeito
de sorrir,
de mover a cabeça,
de caminhar,
e a voz... 

é o jeito de alguém que assimilei
ou não...
não viveram todos em meu tempo.
me antecederam apenas.

até a dor que me atravessa
assim de repente...
digo que é minha só porque a sinto na pele, 
mas é também a dor de alguém que já sofreu
antes de mim.

sou feita de peças que não se ajustam
facilmente
sou feita de contradições.
eu me construo
eu me desconstruo
e me deixo levar.

O que sobra e não encaixa 
solto no vento.
Sou fragmento.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

MEU EU PIGMEU

Observo a mulher no espelho e pergunto, sabendo de antemão que ela não sabe a resposta, que ela sequer reconhece em mim, naquela que a encara, ela mesma, só que muito mais velha.
Pergunto: "Por que você não cresce? Não se basta? Não guarda para si suas dores, suas inseguranças? Por que não se impõe com serenidade, mas com firmeza? Porque precisa tanto que a aprovem, que a amem de uma forma incondicional? Porque não aceita as imperfeições dos outros, suas aparentes injustiças? etc... 
Ela me olha com um olhar desamparado. Tudo que quer é que a tranquilizem, nem tanto com um abraço, mas com um tom de voz sereno , gentil. Ela quer que o mundo seja bom, calmo, justo.
O que fazer com ela? 
DESISTO... por enquanto.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

ALDEIAS E CAMINHOS


Estes caminhos,
cortando caminho entre aldeias,

caminhos que nunca percorri..
têm alguma coisa
de mágico.

talvez tenha andado por eles,
em outros tempos
tempos
que a memória apagou

mas se foi certo
que por aí andei,
o que fui e fiz
ainda faz o que sou..

ou serão apenas sonhos...
quem sabe?
dos mistérios da vida
que sei?

Estas janelas
fechadas ao entardecer,
me lembram olhos
de pálbebras cerradas
tentando apagar o dia
e adormecer.

Estas aldeias
cheias de histórias,
com estas simples casas
curvadas ladeira abaixo,
sem calçadas,
as ruas de pedra,
lustrosas de passos,
onde alguém
como eu,
um dia
viveu.



sábado, 4 de janeiro de 2014

CONVICÇÃO DE SER AMADO

A suprema felicidade da vida é a convicção de ser amado por aquilo que você é, ou melhor, apesar daquilo que você é.
-- Victor Hugo


Ser amado, acho que, no dizer de Victor Hugo, significa mais que isto. Significa ser repeitado, considerado. 

Mas ser amado "Apesar daquilo que você é" fica por conta dos amores incondicionais dos que nos geraram e dos que, por esta graça, que talvez se possa chamar destino, se tornaram 

nossos irmãos consanguínios ou não.

DIGNIDADE

Amanheci ouvindo repetidas vezes  a frase: dignidade , dignidade, terminar atos começados.
Acho que quer dizer: Cumpre com dignidade o que está a teu alcance. 
O refrão era:seja digno, para que não duvides de teu merecimento. Conquista teu  respeito. O respeito dos outros virá invitavelmente, não poderá ser contestado. Teu argumento é o respeito com  a dignidade que colocas em teus atos e no que transmites com convicção, sem teimosia.e sem se deixar levar por emoções que não pertencem a teu presente..Cumpre o que começaste, finaliza o quer que tenhas iniciado. O futuro se encarregará de si mesmo. O futuro se curvará diante de ti.

Teu presente é tua única herança. É o que te pertence, juntamente com tuas ações.
Teu futuro é decorrência de um ato, sempre.
O determinismo se rende a uma atitude bem feita. 

 A dignidade humana é, assim, fortemente relacionada com a capacidade dos seres humanos efetuarem suas próprias escolhas, sejam elas certas ou erradas. Kant

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

PIANO... PIANÍSSIMO

Fico a pensar em meu piano. E meus dedos tamborilam no ar acima de meus joelhos. Sinto falta, apesar de saber que não tinha talento. Este era compensado apenas por um certo arroubo e sensibilidade como me disse minha professora, referindo-se a minha falta de disciplina e dedicação.

Um dia após outro, foi ficando cada vez mais o piano de lado. Ou porque não tinha além de talento, vontade e persistência, ou porque (e acho que a principal razão era mesmo esta) eu sempre chorava ao tocar. A música me fazia lembrar; lembrar me fazia chorar; chorar me deixava mais triste ainda, insuportavelmente triste. Então desisti. E, naqueles dias, à falta de talento, tristeza e uma tremenda falta de auto-estima, somou-se um verdadeiro terror de falhar.

Depois descobri que o nome disto era fobia. O piano passou a ser prateleira de porta-retratos, vaso de flores, enfeite na sala. Antes que o inço do tempo e a hera o cobrissem, desisti dele e ele de mim. Chopin,um dos meus preferidos também tinha lá suas fobias. E eu sempre pensei que os talentosos não soubessem o que era isso.



                            
Frase dele: “Eles gostariam que eu desse outro concerto, mas não tenho nenhum desejo de o fazer. Vocês não podem imaginar a tortura que representam para mim os três dias antes de aparecer ao público.”
FRÉDÉRIC CHOPIN
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