quinta-feira, 8 de setembro de 2016

VENTANIA



Os ventos de ontem descabelam até pensamento...

Poemas sem consistência, ou apenas leves, o vento carrega e se perdem céu adentro.
Pandorgas ganham força arrastando as crianças.
As nuvens se esgarçam em fios de algodão e água nas mãos das deusas tecelãs.
As árvores se despem das folhas e das flores, e o corpo nu de muitos braços curva-se na ventania, temeroso de perder suas raízes.
As águas do rio correm mais depressa, surpreendendo os capins plumosos dançarinos às suas margens.
A menina vai, os pés altos do chão, levada pelo sonho e o velho se rende e refugia dentro do casaco. Deixa cair o sonho na pressa de buscar o caminho de casa.
Eu recolho poemas que se perderam em minhas andanças por esses caminhos de vento. Eu me busco no entrevero de lembranças desfolhadas.
E me desconstruo, como dizem por aí, levada pelo vento.






quarta-feira, 7 de setembro de 2016

PALAVRA E SEUS DISFARCES

“A palavra foi dada ao homem para disfarçar o próprio pensamento.” talleyrand

Quando escrevo, o que escondo e o quanto revelo?
O que não me atrevo a dizer, sequer a pensar? O pensamento atravessa o silêncio e se expõe no olhar, nas mãos, nas linhas entre as sobrancelhas, na curvatura da coluna. Será meu ego um professor tão rígido assim? 
Falo na primeira pessoa, mas me refiro a todos.

domingo, 4 de setembro de 2016

A BELEZA EM UM DIA DE CHUVA




Quando ouço e vejo a chuva, os trovões e os relâmpagos riscando o céu, e sinto uma estranha calmaria me envolver, percebo que estou curada enfim.


Posso ver a beleza de um dia de sol. Visto meus óculos de chuva  e, diante de mim, para mim, abre-se um sol dourado em um céu eternamente azul.



O dia é perfeito quando o coração se ilumina.